Foi realizado o Encontro de Planejamento Estratégico do Projeto Rede Trabalho e Cidadania na Periferia, iniciativa do Instituto Redes para o Desenvolvimento em parceria com o Instituto Potências das Quebradas, o Sítio Bebedouro e o Crédito Solidário – Microfinanças, reunindo ainda 13 empreendimentos solidários da região Noroeste da cidade de São Paulo, de Parelheiros e da região metropolitana do ABCDMRR.

O projeto é realizado em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego, por meio do Edital de Fortalecimento de Redes da Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES), reforçando o compromisso público com a estruturação e consolidação de redes de Economia Solidária nos territórios periféricos.

O encontro marcou o início oficial das atividades e consolidou um momento estratégico de alinhamento metodológico, pactuação de metas e construção coletiva de diretrizes para o fortalecimento das redes produtivas.

Construção em rede como estratégia de desenvolvimento

O projeto nasce com a proposta de estruturar redes produtivas, fortalecer empreendimentos econômicos solidários e ampliar as oportunidades de trabalho e geração de renda nas periferias urbanas. A metodologia integra diagnóstico territorial, assessoramento técnico continuado, formação em autogestão e articulação para acesso a mercados e crédito solidário.

Mais do que um planejamento técnico, o encontro evidenciou a potência da construção coletiva. Empreendimentos de diferentes segmentos — alimentação, agroecologia, moda sustentável, artesanato urbano e serviços — compartilharam expectativas, desafios e experiências acumuladas, reafirmando a centralidade da cooperação como princípio organizador.

Os desafios de trabalhar em rede em territórios periféricos

Construir uma rede produtiva envolvendo territórios como Brasilândia, Parelheiros e municípios do ABCDMRR impõe desafios concretos e estruturais.

São regiões geograficamente distantes entre si, com realidades logísticas complexas, dificuldades de mobilidade e diferentes níveis de infraestrutura. Também enfrentam desigualdades históricas no acesso a políticas públicas, crédito, tecnologia, formação técnica e mercados consumidores.

Ao mesmo tempo, são territórios profundamente semelhantes naquilo que os fortalece: organização comunitária, criatividade econômica, cultura de solidariedade e capacidade de transformar limitações em inovação social.

Trabalhar em rede nesses contextos exige:

  • Construção contínua de confiança entre os grupos;

  • Superação da lógica competitiva e fortalecimento da cooperação;

  • Organização de fluxos produtivos e logísticos solidários;

  • Estruturação de mecanismos de governança compartilhada;

  • Diálogo permanente e mediação de conflitos.

A proposta apoiada pelo Ministério do Trabalho, por meio da SENAES, reconhece que o fortalecimento de redes é condição essencial para ampliar escala, sustentabilidade econômica e incidência política da Economia Solidária.

Um início marcado por vibração e compromisso

O clima do encontro foi de entusiasmo e responsabilidade. O início do projeto representa não apenas a execução de um plano de trabalho, mas a consolidação de uma estratégia de desenvolvimento territorial baseada na autogestão, na cooperação e na justiça econômica.

Ao integrar apoio técnico, formação continuada, organização produtiva e articulação em rede, a iniciativa busca estruturar bases permanentes de desenvolvimento nas periferias, fortalecendo empreendimentos e ampliando oportunidades.

O planejamento estratégico foi o primeiro passo de uma caminhada que agora se volta à execução das ações nos territórios. A expectativa compartilhada é que as próximas etapas consolidem redes mais sólidas, sustentáveis e articuladas, demonstrando que quando a periferia se organiza coletivamente, o desenvolvimento deixa de ser promessa e passa a ser prática concreta.

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